É uma tarde nublada como qualquer outra.

Sentado em uma mesa da sala, Moisés pega uma somatória de tudo o que será contabilizado e dividido com os demais inquilinos do imóvel. Moisés trabalhava como alguém despreocupado com o tempo que levaria para terminar a tarefa.

Junto com ele na sala, sua esposa sentada num sofá ao seu lado e seu amigo Roger de pé, atrás de sua cadeira, espiando por cima de seus ombros o que fazia. Roger morava no imóvel e estava preocupado com o valor das dívidas. Moisés parecia não se importar se o observavam em seu trabalho. De relance, Roger se sentia preocupado pelo valor das faturas, devido a sua situação financeira. Apenas a de eletricidade já eram 622 reais, Roger parecia se incomodar com o valor.

_ Roger _ diz Moisés enquanto aponta para um desenho num papel _ qual era o nome dessa mulher nesta imagem mesmo?

Roger se sente confuso, pois não se recorda de ter visto o desenho uma vez sequer antes:

_ Não faço ideia cara.

_ Então, vou chamá-la de Gabriela _ e Moisés retornou à sua contabilidade despreocupada.

_ Esse cara não é normal _ pensou Roger, um pouco sem reação para a informação totalmente irrelevante, enquanto olhava para a esposa de Moisés, como se procurasse explicação.

_ Deixa que eu faço! _ bradou a esposa já impaciente.

_ Não precisa. Eu que vou fazer _ respondeu resoluto.

Roger viu a cena e decidiu sair do recinto por um tempo.

A esposa encarou Moisés por um tempo e se levantou dirigindo-se para a mesa em que ele estava.

Ao se levantar, ela o olhou sentado, focado em sua tarefa. Viu seu cabelo negro, e sua expressão séria e relaxada ao anotar algumas coisas em seu papel. Via seu rosto por cima, num ângulo em que parecia ser vulgar e novo. Ela começou a observá-lo e foi tomada por uma espécie de sentimento de nostalgia, como se lembrasse o quanto amava aquele homem, à medida que se sentia mal por ter se sentido zangada por tão pouco.

Ela começava a lembrar o quanto o considerava incrível e único mesmo com seus ‘detalhes’ e suas necessidades de ‘informações aleatórias’. Ela sente, então, uma ternura comum das mulheres que amam seus homens, e se move à mesa ao lado de Moisés. Pega um pedaço de torta de maçã que há em cima da mesa e o deixa trabalhar em paz.

É uma tarde nublada como qualquer outra.