Cristina encontra evidências que Roger está sendo infiel.
A mente de Cristina vai a milhão.
Cristina é impulsiva, e imediatamente sem nem pensar, sai pelas ruas, sem nem olhar ao redor em busca de Roger.
“Quem é Aura?” – diz Cristina em voz alta pela rua à procura do traidor.
Cristina repete durante todo o trajeto, até onde Roger está.
“Quem é Aura?”
“Quem é Aura?”
Repete em fúria, enquanto marcha ao local em que Roger estuda. Cristina levanta o dedo do meio em direção ao motorista que quase a atropelou. E segue pela rua. É implacável. Cristina está tomada por ciúmes e por raiva, derivados de uma suposta traição quase totalmente descoberta.
Ao passar pela rua ela não repara em prédios, carros ou no rosto das pessoas. Ela está claramente fora de si, com toda adrenalina que apenas uma pessoa impulsiva dispõe para momentos críticos.
“Quem é Aura?” – ela diz já ao avistar o prédio em que Roger faz seu curso.
Cristina entra direto pela recepção e alcança os corredores em silêncio. E em silêncio chega até a sala em que Roger estuda e se senta numa das carteiras. É momento do intervalo, e Roger não está presente. Cristina se mantém sentada ao aguardá-lo.
Ainda com os pensamentos imersos em seu próprio lado detetive, e com o semblante tenso, ela escuta uma voz no ambiente.
A sala toda está cheia de pessoas conversando, e a voz se confunde com os bate-papo dos outros alunos ao redor, porém, ela percebe que essa voz é direcionada a ela.
Sem qualquer apresentação, a dona da voz diz:
_ Fiz torta de maçã, quer?
De cabeça cheia, Cristina demora um tempo para entender o que está acontecendo. Então, Cristina se sente desarmada. Cristina adora tortas de maçãs.
Ela aceita a torta com um sorriso tão grande e belo que se faz difícil acreditar ser um sorriso deste mundo. Ambas, Aura e Cristina sentem que podem ser amigas.
