Nos dias em que vivo

eu não consigo pensar que estou apto a ser livre.

Repetidamente penso

se existiria uma maneira segura de medir

se minha vida está atestadamente nos trilhos

e se estou vivendo da forma correta.

Repetidamente penso

SE ESTOU VIVENDO

Me cerquei.

Pus ao meu redor

uma grande quantidade de jovens

que acreditam na soberania humana das próprias decisões.

Isto é,

uma vasta quantidade de jovens

que sequer percebem que estão longe de se libertarem.

A ausência de um deus,

a ausência de uma autoridade superior ao ego,

me parece uma grilhão mais confortável.

Nem em mil anos,

Tal fantasia soaria como liberdade.

Ser um humano obrigado a lidar com seus problemas limitados

OU MORRER

Não me soa a coisa mais livre do mundo.

Há quem pense que ter o direito de escolher sofrer menos

seria equivalente a ser livre.

NÃO ME FODE!

ISSO NÃO É SER LIVRE!

“Haja como quiser, sem ferrar com a vida de ninguém. Ninguém poderá te condenar por isso”

Isso pode parecer algo de gente livre pra você

mas para mim

é apenas uma outra prisão qualquer.

E estou preso nela.

Pensando qual será a próxima prisão

caso um dia eu venha a sair desta.

O que eu penso de fato é

Que provavelmente não possamos de fato ir muito além

do que uma vez imaginamos ser o nosso limite.

Eu entendo que minhas ações do presente são dependentes das ações do passado.

Assim como as ações do futuro são dependentes das ações do presente.

O mesmo vale para nossos mais profundos pensamentos.

Afinal tudo o que pensamos antes,

e tudo que aconteceu antes

é o que forma o nosso momento de agora.

Para o bem

Ou para o mal,

Nada pode ser tão disruptivo.

Até o ato de se forçar a disrupção

Requer um planejamento prévio desta disrupção.

NADA VEM DO NADA

CADA PEQUENO ATO,

SURGIRÁ DE UM ATO ANTECEDENTE

Sobre tensão

ainda penso,

que eu deveria evitar de decepcionar a mim mesmo

e as pessoas que eu prezo.

Mas principalmente a mim mesmo

Pois

Ninguém sabe a merda que é viver carregando comigo

essa enorme fadiga que é ser inteligente o suficiente

para entender que sou irrelevante.

Sendo bem honesto,

ninguém sequer dá a foda para isso.

Mas, mesmo sem conseguir entender o que seria liberdade

Ainda tento alcançá-la

Com minhas próprias asas de cera.

Aos poucos

Considero a liberdade

algo profundamente masoquista.

As vezes penso que eu sou forte.

As vezes penso que pode ser que eu seja até mesmo livre,

por conseguir fazer um exercício de negação do meu verdadeiro querer

Como se,

negar um prazer grandioso e óbvio

Fosse uma suprema demonstração de que minha vontade pode imperar às conspirações irrecusáveis do destino.

Também as vezes me considero um masoquista qualquer.

Pois nunca haverá alguém que reconheça qualquer valor

em negar prazer óbvio

por algo que só existe na minha cabeça.

Porém, esta noite eu sinto que honrei a mim mesmo.