Em minha infância
eu fui um garoto inteligente,
resolvia livros de matemática inteiros como passatempo.
As pessoas tinham expectativas e fé em mim,
e aos poucos eu comecei a me considerar divino.
Passei a pensar que era diferente,
que me desviaria de todas as tolices,
que ‘venceria na vida’
Porém, depois de um tempo, qualquer que fosse o elogio, me parecia uma constatação do óbvio: uma espécie de ‘O céu é azul; A é A.’
Para mim, não passava de ecos do que as pessoas realmente queriam dizer
Eram elogios totalmente ignoráveis.
Eu pensava que o problema estava em mim,
que eu era insensível.
E é bem provável que seja verdade.
Em minha fase de garoto,
elogios me alienaram,
e de certa forma,
alteraram o rumo da minha vida.
Talvez por isso hoje eu ainda ande na linha…
…Ainda.
Escutei esses louvores baratos por minha vida inteira.
Mas, só recentemente, percebi que a maioria deles significavam um grande saco de nada.
Aos poucos notei que quase ninguém faz idéia das coisas que diz.
Percebi que um elogio verdadeiro, só pode vir de uma pessoa que entende o que está falando.
E o diz com seriedade.
Recentemente
senti de forma certeira pelas palavras de alguém,
que eu poderia ser ‘bom‘, ‘inteligente‘, ‘livre‘, ‘completo‘ e ‘foda‘
Me arrepio só de lembrar.
