Eu passei a soltar ar pela boca,
suspirando.
Me lembro de pensar que me sentiria realizado,
ou saciado,
se a tivesse em meus braços,
para acariciá-la por uma noite.
Eu lembro de ter desejado fazê-la entender que eu a amo genuinamente,
apesar de não estar próximo,
E eu consegui fazer isso.
Eu consegui essas coisas
e quis mais.
Acho que a paixão não aceita ser limitada
Ela não sabe quando parar,
ele não se importa se vai acabar mal,
ou se vai em pouquíssimo tempo
te afundar num sentimento miserável de solidão e abandono.
INSENSATA
Acho que isso caracteriza essa paixão.
Eu consigo imaginar tanta alegria em estar com ela,
de apenas estarmos juntos no mesmo ambiente, sabe?
É difícil me permitir desistir desta paixão,
mesmo sentindo que estou sozinho nessa.
Eu quero desistir.
Eu quero muito.
Ao mesmo tempo,
eu quero ser feliz com ela.
Eu tenho me forçado estar distante dela nas últimas semanas,
E apesar de conseguir seguir minha vida,
como se nada tivesse acontecendo
Parte de mim sabe que está infeliz.
Eu sei que no fundo do meu coração eu desejo estar com ela,
até o fim da vida de um de nós
e eu entendo o peso que têm essas palavras,
pois por meses minha preocupação foi pensar em como alegrá-la por anos.
(Afinal, eu sei que rotina existe, e que paixões acabam e fica só a desilusão)
Acho que não tenho mesmo escolha
a não ser me distanciar,
e deixar tudo nas costas de Chronos.
Eu sei que a amo hoje,
e que pode ser que eu continue amando ela por décadas inteiras,
que meu cotidiano poderia ser maravilhoso
se ela pudesse ser minha mulher.
Isso faz eu me sentir miserável.
Tenho esperança de ser surpreendido pela vida,
A vida é cheia de surpresas afinal.
Tudo pode acontecer!
O mar pode se tornar brasas!
Tudo pode acontecer!
Sem ela, o mundo pode ser maravilhoso.
Ou posso me afogar em tanta coisa pior,
que entre minhas misérias, não tê-la seja apenas um detalhe idiota.
Eu decidi tentar ser feliz,
sozinho,
para não sofrer assim de novo.
Me sinto expulso do Éden.
