Por um tempo na minha vida

Eu pensei que estava bem tendo alguém ao meu lado

Eu queria o bem da Lorena,

Ela queria o meu…

E então eu pensei:

“Acho que eu deveria experimentar o que é ser sozinho,

eu posso entender melhor a mim mesmo, e crescer com essa experiência.

Acho que mantenho Lorena por perto, para afastar as pessoas.”

E assim, eu me separei da Lorena por um mês.

E neste mês eu obtive um punhado de conhecimento sobre o que é o amor,

quão grande e cheio de energia esse sentimento pode ser.

Eu entendi que de fato, poderia ser que eu não amasse Lorena ainda.

Eu expliquei a ela a síntese de minha pesquisa e decidimos voltar

E nos mantermos próximos e namorados,

Até entender em que gastaríamos nossas vidas.

Meses depois,

eu notei que, na verdade,

eu desejava estar ao lado de outra mulher e fazê-la feliz,

ao menos alegre com muita frequência,

desejava isso com todas as minhas forças,

e com todas as forças extras que aquela mulher fazia nascer em mim,

enquanto ela simplesmente existia.

Eu entendia que estava amando uma pessoa,

e tudo o que eu sentia por Lorena parecia nada real.

Enquanto aquela luz e calor de mil sóis apenas aumentava,

cada vez mais, o que eu sentia sobre minha namorada se ofuscava.

Quando entendi isso sobre mim,

eu planejei como terminar meu relacionamento com Lorena,

tive de planejar pois Lorena ainda tinha depressão,

e a última coisa que eu desejava era que algo ruim acontecesse com ela.

Nós terminamos, e fiquei sozinho,

Por um tempo eu pensei que eu iria odiar a mulher que eu amo,

por eu ter que ter sido tão implacável com Lorena,

por eu ter tirado o chão dela,

e deixado ela em uma situação super vulnerável,

sem qualquer posição para poder ajudar.

De fato,

por pouco tempo senti algo assim, mas tentei me manter natural.

Tenho esse defeito, de sempre querer agir como se nada tivesse acontecendo.

Tempo depois contei à mulher que amo, como me sentia,

ela retribuiu, porém, com grande cautela com as palavras,

pois ela não acredita no amor.

Nossa relação ficou fora do meu controle,

as atitudes dela, e as ausências de atitude dela, influenciavam, e muito, meus pensamentos.

Me perturbava não ter mais poder sobre meu estado emocional.

Me mantive assim por meses,

eu estive próximo a ela em momentos realmente difíceis e maravilhosos.

Nunca trepamos,

eu sinto que ela está longe de me desejar como eu a desejo,

e ela é super indireta com essa merda toda, incapaz de agir de acordo

ou de encarar as coisas, pensar e me falar.

Todas as vezes que extraí informações dela sobre como ela se sente,

era basicamente descarregando sobre ela toda minha tensão mental de como eu me sentia,

pois chegava momentos que eu sentia que iria colapsar se não deixasse algo sair.

Tempo atrás ela disse que queria tentar dar certo com um cara

E eu me senti profundamente rejeitado,

profundamente mesmo,

sabe, eu sei que não sou qualquer coisa,

eu imagino que esse cara seja um desses que só é esforçado e nada mais

desses que quando você sai por aí casualmente, numa sexta ou sábado à noite,

você encontra as dezenas por aí,

e eu fico pensando: como diabos ela me abandonou por algo assim.

Eu me sinto abandonado,

é louco abrir o jogo aqui,

pois eu sequer pensava que me sentia desta maneira antes de começar esse parágrafo,

mas é o que meus dedos estão escrevendo agora, quase que como tivessem vontade própria.

Um ponto para Nietzsche e sua teoria maluca.

Ok, talvez eu me sinta abandonado,

e é foda porque ela é tão adequada a mim,

que eu não consigo só falar ‘ok’ e seguir.

Sabe,

é aquela história de amor que eu pensava que seria feliz,

e que agora eu não consigo pensar em permitir seguir por esperar um milagre

que faça eu ser feliz.

Como uma criança que disseram que haveria uma festa surpresa de aniversário.

E mesmo o dia do aniversário tendo passado, ela se sente com esperança que isso seja parte da surpresa.

Me prender a esse tipo de inércia emocional, por causa de expectativas psíquicas,

Deus,

isso me incomoda,

tipo para caralho.

Eu queria que ela me amasse

Ela diz amar,

mas acho que há algo sobre ‘não se importar’ na maneira que ela se importa.

Assim como há algo sobre ‘não amar’ na maneira que ela ama.

Estou seguindo minha vida,

e lembra no começo do texto que eu algum dia, desejei conhecer a solidão?

Acho que estou conhecendo agora.

A minha solidão é meio que uma condição de me sentir afastado

e no dever de me manter afastando os outros,

mais e mais.

Vejo essa fase de solidão como uma espécie de oportunidade para tentar descobrir como é essa coisa de amar a si mesmo.

Eu estou tentando, sair para lugares sozinho, deixar-me imergir em meus próprios pensamentos e ideias, conquistar habilidades que eu considero ótimas, escrever e gravar vídeos para meu canal no YouTube, trabalhar, ver pessoas que eu gostava de ver no passado, entre outras bobagens.

Eu não sei se estou conseguindo ,

mas estou tentando,

é o desafio que me dei.

E não tenho muita escolha, ou eu faço alguma coisa,

ou sou levado a sentir pena de mim mesmo.

Coisa que odeio fazer.

Não nasci para isso.

Acho que, de alguma maneira,

eu esperava que aparecessem pessoas maravilhosas para me fazer companhia quando eu ficasse solitário.

Na realidade, não foi bem assim.

Ninguém apareceu,

descobri que quase nunca sou prioridade na vida das pessoas que eu considero importantes para mim,

ninguém sequer entende que estou num nível foda de solidão e o que isso significa.

Algo sobre ser solitário, é entender que ter esperanças no que o outro faz,

é esperar demais.

Eu me sinto realmente exposto após escrever esse texto.

Muito, muito exposto mesmo.

Algo que entendo sobre o futuro é que não dá para prever ele, ou saber o que diabos ele tem para nós.

Eu não sei como vou sair dessa, se é que vou

Não sei o que as ações de hoje vão levar,

Se eu deveria me preocupar e agir por impulso, ou só deixar o pau quebrar e  ver onde as coisas vão.

Se eu continuo perseguindo a história de amor que eu sonhei para mim, e até aqui muito pouco aconteceu,

Ou se apenas desisto disso, abandono na medida do possível e me empenho em realizar algum outro sonho meu e,

quem sabe, até criar novos sonhos para mim.

Esse dilema está acabando comigo,

Está me fazendo miserável.