Eu sempre quis ser um homem bom.

Eu podia jurar que era um garoto bom,

e eu era mesmo.

E eu podia jurar que seria um homem bom.

Hoje em dia, 

apesar de ser alegre…

eu reconheço que há muito comportamento grosseiro 

e sentimentos inflexivelmente densos dentro de mim.

E eu não me considero mal hoje em dia,

mas, considero que meu conhecimento me tornou uma pessoa esperta o suficiente para não se considerar boa

Esperta o suficiente para enxergar egoísmo até onde espalho o que deveria ser o bem.

Tipo,

fazer o bem

pensando que, um dia,

posso precisar da ajuda de alguém…

Isso, de fato, é fazer o bem?

Hoje em dia eu digo em voz alta que faço o bem, 

porque eu posso fazer o bem.

Nunca tive tantos recursos na vida para ajudar as pessoas,

nunca tive tanto dinheiro, tanta força, tanto poder de decisão ou bens…

Então, eu ajudo mesmo

e me convenço que, agora, consigo espalhar mais o bem

porque eu sou mais forte.

Mas, eis algo que venho pensando aos poucos.

Quais são nossas leis,

não me refiro ao código civil inteiro…

Mas me refiro às leis que você internalizou tão bem

que não consegue as achar enganosas…

Eu, por exemplo, não acho correto matar alguém,

não acho correto roubar alguém,

não acho correto mentir,

não gosto de trapaceiros,

nem de traidores…

Isso está dentro das minhas crenças mais fortes,

e coincide com as leis do mundo.

Ou essas coisas são tão boas que entraram e criaram raízes

ou a lavagem cerebral veio forte.

Veja bem o que eu tenho pensado…

Toda lei deriva de uma vontade egoísta de um mundo melhor,

vontade que tenta ser mais abrangente,

por tentarem apoiá-la em belos ideais

como paz, moderação…

Sabe o que penso…

Para quem serve a paz?

Ora, para quem terminou a última guerra por cima.

Para quem serve a moderação?

Ora, para quem está extravagantemente errado em seus desígnios,

afinal, quem está extravagantemente correto, não precisa de ser moderado.

Então…

por que esses ideais belos, parecem só servir à escória?

Eu fico pensando sobre a falsidade de alguns ideais

e como, às vezes, dizer que defende uma palavra

perante o sistema de mundo atual

é defender o oposto.

Bem, se você está entendendo que eu estou subvertendo as leis aqui,

então, segue comigo…

Se as leis existem para proteger a escória

e não os que merecem louvor,

por que continuar observando elas?

Ora, temos a cadeia…

Você tem que ponderar

se a cadeia é de fato o fim do mundo.

Mas, a realidade é que, muito provavelmente, eu tenho personalidade divergente…

sou um outsider.

Não sigo no mesmo fluxo da multidão…

A única coisa que é interessante na minha vida

é que consigo continuar me movendo dentro dessa multidão

me alegrando… tirando sarro… sendo um outsider

dentro da multidão.

Consigo ver o golpe e me mover dentro dele 

sem que isso fira meus sentimentos novamente.

(mas, já me fez chorar um dia)

O que eu gostaria mesmo de passar aqui

é que, do mesmo jeito que colocaram paz e moderação num pedestal

e perverteram a coisa à enésima potência do que era possível…

Bem.

Eis um hack para você…

Quais são seus ideais mais bonitos?

Você pode enumerá-los 

e começar a pensar em como ler o mundo através deles

do que através do sistema legal.

Afinal, tentar ver o mundo através do sistema, 

é como por uma venda nos olhos e tentar enxergar.

Eu juro por deus

que, se você simplesmente deduzir regras para si mesmo, 

pelos seus ideais, 

sua vida muda muito.

Porém , certamente serás um divergente.