Imagine que você está na sala da sua casa,
assistindo um vídeo
de uma bola caindo…
e que, em sua mão direita,
você tivesse um controle de DVD.
Assistindo o vídeo,
você o pausa
antes da bola tocar o chão
e o analisa com cuidado.
Então, ainda com cuidado,
você avança o vídeo na câmera super lenta,
pausa de novo,
e o analisa de novo.
Repetindo essa ação com alguma constância
a partir daí.
Reza a lenda,
que você seria capaz de prever que a bola cai ao chão,
e que conseguiria prever que ela quica e cai novamente,
desde que começasse a compreender as ações e reações óbvias da bola.
Então, você percebe que quando pausa o vídeo,
seu gato que limpava o rosto com suas patas,
parou de se mover também.
Você acelera o vídeo em câmera lenta,
e o mesmo se aplica ao gato.
Você,
com os olhos arregalados,
percebe que tem algo incrível na mão.
NÃO É APENAS O VÍDEO QUE OBEDECE A ESTE CONTROLE.
Então, você começa a entender que seu controle é mágico.
E, da mesma forma,
você novamente pausa o mundo.
E neste mundo imóvel,
você tem todo o tempo para fazer o que desejar.
Tem tempo suficiente para analisá-lo mesmo em escala microscópica
e até em escala cosmológica.
Você pode analisá-lo mesmo nas relações interpessoais.
E, então,
quando você já analisou tudo o que queria,
assim como no vídeo,
você avança um pouco
e pausa novamente.
E, agora,
você começa a tentar captar as diferenças
das poucas coisas que mudaram.
Você nota tudo o que reagiu ao ‘pause’ anterior,
tudo que se manteve,
tudo que continuou,
tudo o que terminou.
Ao repetir os pauses,
você começa a perceber padrões
e a notar que tudo que muda,
muda por algumas razões
e começa a entender essas razões.
E com uma quantia infinita do tempo,
você já consegue olhar para o todo
e ser onisciente.
Saber tudo o que acontece em todo o lugar
e saber, exatamente, qual é o destino final de tudo!
Apenas por ter certeza
em definir ações e reações.
A título de curiosidade,
tão curioso quanto saber o final de tudo,
é também entender o princípio de tudo.
E isso também seria possível
depois de se familiarizar com o poder de pausar o tempo…
Afinal,
o presente não é nada além das reações
do que aconteceu ao passado.
O que estou tentando te dizer,
com esse mito fantástico é:
estamos presos numa sequência lógica.
Pois, à medida que
o mundo é mais mecânico que pensamos ser,
SOMOS MENOS LIVRES QUE PENSAMOS SER.
