A parte resumida: fui convidado a ser padrinho de casamento, gostei a princípio, achei caro no meio e me emocionei na cerimônia.
Bem,
quando me chamaram pra ser padrinho,
eu pensei
‘UAU, ALGUÉM ME CHAMOU A UM CASAMENTO!’
Eu conheço pessoas que me conhecem e se casaram, mas isso não as fez me convidar.
Eu já fui em festas… como chá de panela, ou outras festas pré-nupciais,
mas a quantidade de casamentos que fui foram minúsculas…
Isso até me magoa um pouco,
pois quase sempre me passa a impressão,
que eu estou enganado a respeito de quão próximo considero meus amigos.
Há uma moça, por exemplo, que não me convidou a seu casamento,
mesmo sendo nós os tipos de pessoas
que se quiséssemos comunicar um pensamento de 1000 palavras, usando apenas 10 palavras chave… conseguiríamos sem nenhum problema.
Não ser sequer um convidado ao casamento dela,
conhecendo ela e o noivo, me deixou verdadeiramente magoado.
Tive amigo que o conheço desde os 11 anos,
que não me convidou para seu casamento ,
que, literalmente, passamos muitos anos juntos,
eu o vi ter peguetes, flertar com amigas minhas…
e fazer isso pra, simplesmente, camuflar até de mim que ele era gay…
quando, honestamente, dava pra saber isso pelo jeito que ele falava desde sempre…
Enfim…
essas coisas meio que foram me fazendo repensar se realmente sou próximo das pessoas que acho que sou.
E desde então comecei a expressar às pessoas o nível de proximidade que temos.
O convite de ser padrinho do Douglas me pegou de surpresa.
De imediato eu pensei: poxa, eu estou honrado por isso, eu de fato acho o Douglas um cara e tanto… mas, somos próximos de eu ser seu padrinho?
Mas, rapidamente comecei a lembrar como ele me mandou crypto de aniversário, como ele lembra de eu negar um salgado a ele na época da escola…
ou como eu estava lá no dia dele pedir a mão da Solange, ou mesmo na despedida dele pra faculdade…
de jogarmos um jogo online juntos e sermos da mesma turma bagunceira… de ir à casa dele almoçar, muito tempo atrás, e de termos tentado ter um negócio juntos, mesmo conversando sobre o negócio 1 vez por mês.
Enfim, eu não consegui me convencer… pois há pessoas que eu me julgo mais próximas… mas topei de imediato…
foi um talvez por capricho e por me sentir honrado.
No meio do caminho, descobri que havia um figurino para padrinhos e madrinhas, e que eu teria de arcar com essas despesas para mim e minha namorada
e que, no fim, teria que pagar pra ir ao casamento, devido ter que arrumar um carro e dirigir para uma cidade longe da minha…
Essas coisas foram pesando, e conforme o tempo se aproximava…
eu pensava sobre como eu estava indo longe demais por um casamento que eu pensava que, talvez, fosse um erro eu ser padrinho.
Honestamente, tudo isso caiu por terra quando vi Douglas de manhã, já quase terminado de se arrumar.
Ele parecia um homem prestes a ser feliz, e eu consegui reconhecer isso.
_ “É esse aqui que quer fugir?”,
eu gritei pros outros que estava ao redor dele rirem um pouco.
Ele estava bem, e parecia estar com tudo sob controle
Me dirigi ao local da cerimônia e, uau,
era literalmente na beira de uma lagoa…
pra ser literal à história, era uma lagoa do tipo que tinha aquela cor de água lamacenta…
Mas, ainda haviam árvores ao redor, lindas.
Patos nadando com seus filhotes, cadeiras brancas forradas com tecido para umas 40 pessoas se sentarem diante do altar.
Simples e belo.
No altar, haviam bancos especiais, e um grande círculo feito de galhos e flores.
Lindos também.
E, uau, eu era o padrinho, estava no figurino
eu só tinha de seguir o script e teria feito meu trabalho…
eu só tinha que segurar um pouco aquele meu espírito de ser notado e roubar a cena,
se eu fosse uma pessoa normal pelas próximas horas, estaria tudo ok.
Decidi ser, e te garanto que deu tudo certo.
Porque é fácil simplesmente andar quando pedem e ficar calado, olhando o que esta acontecendo feito uma testemunha.
A cerimônia seguiu um pouquinho atrasada, mas foi bem rápida, pois o noivo nem entrou antes da noiva já estar dentro do carro.
Algumas coisas que me fizeram amar o casamento do Douglas foi o fato dele ter entrado com sua mãe e avó para o altar.
São ambas suas ancestrais legítimas, e acho que é motivo de muito orgulho pra avó dele, saber que ele está se casando com uma boa mulher e que está muito feliz.
Eu acho que é de uma alegria talvez até maior que pra mãe…
Porque avó consegue enxergar que a genealogia dela está boa e indo longe.
Deve dar uma sensação de paz , incrível.
Outra coisa que a princípio me chocou
Foi o fato de douglas ter chamado uma moça chamada Larissa para o casamento.
Larissa era uma moça que Douglas tinha interesse romântico quando cursava ensino médio,
ao ver ela lá, eu realmente pensei… eita…
” se Douglas ainda lembra que essa moça existe… pode ser que tenha algo errado”
mas não houve nada errado,
a cerimônia foi tão linda do início ao fim, que mesmo Larissa chorou muito ao ver a noiva entrando…
(eu vigiei as expressões dela)
Outra coisa que me fez achar muito lindo, foi o fato de Douglas seguir a tradição de não ver a noiva.
Até a noiva começar a caminhar rumo ao altar, Douglas só olhava para o lago … para frente… como se não pudesse ver. E tivesse que confiar que ela viria.
No momento dos votos, o Douglas se declarou primeiro, disse que já sabia que a relação deles se escalaria ao casamento desde os primeiros momentos que passaram juntos.
Eu segurei minhas emoções…
era belo.
Quando Solange também confirmou os sentimentos com seus votos, uau. Eu não consegui me aguentar mais…
Comecei a chorar pela coisa toda.
Sabe… a beira do lago… o dia impecávelmente ensolarado… criancinhas de branco trazendo anéis… todo mundo arrumadinho… os noivos simplesmente lindos e falando coisas tão belas…
há beleza na raridade de um amor puro.
Uau. Eu achei aquele momento perfeito de um nível que me fez impossível de conter meus sentimentos.
Eu pensava sobre como o paraíso é possível
e que, talvez, ele seja exatamente como o casamento do Douglas com a Solange.
Eu comecei a chorar,
por ser incapaz de estar presenciando tanta beleza.
Eu nunca havia chorado por felicidade antes, diante da realidade,
então, pra mim foi uma surpresa chorar…
começou a me fazer pensar … ter fé nas pessoas de certo modo.
O casamento do Douglas, me mostrou algo que eu não conhecia em mim.
E eu sou muito grato por isso.
Tentei atuar como normal o máximo que pude, e no final estava cansado.
No fim, eu dei a ele um cordão que uso por superstição de que ele atrai poder.
E ele me deu uma gravatinha de usar em terno.
Fui embora muito feliz e fiz um pix de meio milhar de reais para ele.
Eu nunca me senti tão feliz em ver algo como ali.
De alguma forma eu sei que, talvez, nada supere.
Mas, sabe…
era lindo…
A raridade acontecendo bem diante de mim era lindo.
Era como um grande alarme de que o paraíso existe… e que depende de nós pagar o preço…
Vida longa a Douglas e Solange.
Eu amo vocês.
